sábado, julho 28, 2007

A casa!





Recentemente alguém me disse “a casa não é um local para relaxar!”. Ora esta caricata frase pós-me a pensar nas funções que atribuímos a uma casa e que necessidades ela serve.
Em termos básicos uma casa serve para nos abrigar do mau tempo, para dormir, para fazer algumas refeições. Mas será que é apenas isso?
Não!

Para muitas pessoas a casa serve como refúgio da agitação, um espaço de paz onde se pode simplesmente estar, só ou acompanhado.
Por isso dizemos que nos sentimos em casa noutros sítios, porque são locais que satisfazem a necessidade de pertença, de companhia, de acolhimento e onde sentimos que temos um “espaço nosso”.
Alguns de nós têm o privilégio de sentir o local de trabalho como uma segunda casa. Um local de paz onde a nossa presença é valorizada e onde as relações humanas são isso mesmo… humanas!

Mas este ideal de casa raramente é trazido pelos clientes, que muitas vezes trazem uma representação de um campo de batalha das suas casas e apenas querem de lá sair!
Apenas espero que os que passam pelas minhas casas se sintam acolhidos, valorizados e respeitados como se estivessem na sua casa ideal.

Muito se pode escrever sobre a casa, das suas representações, do seu imaginário, e da sua simbologia… mas isso ficará para depois das férias!

sexta-feira, julho 27, 2007

PUXAR O LUSTRO AO EGO PORTUGUÊS...

Época de férias... muitos estrangeiros... muito passeio pelo estrangeiro... e a típica frase que surge: "... lá fora é que é bom!!". E nunca se sabe bem, ao certo, o que é que é afinal isto do: "... lá fora é que é bom!!". Em boa verdade, Portugal não é um país de viajantes, poucos são os que se confrontam com outras realidades e que podem arranjar termos comparativos que permitam dizer onde é ou não melhor ou o que é ou não melhor... falta conhecimento de causa, em especial, auto-conhecimento de causa!
Deixo aqui um texto bastante curioso e de fácil leitura sobre o que por cá se faz/ fez! (podem até levar para ler nas férias). Não se deixem intimidar pelo tamanho!
BOND BRANDS by Carlos Coelho (www.ivity-corp.com)
Na segunda guerra mundial Portugal era um país mítico. Estava em paz, era barato e cercado pelo Atlântico. Constituía a ponte ideal para o novo mundo.
Fausto Figueiredo tinha criado, em 1953, a Riviera portuguesa e tinha conseguido espalhar esse charme por toda a Europa. Pelo que, para além da neutralidade, da paz, da segurança e da tranquilidade, o Estoril tinha as praias, os hóteis de luxo e o casino.
Para fugir à guerra, entre 1939 e 1946, passaram pela costa do Estoril mais de 20.000 estrangeiros.
Refúgio de reis, príncipes, escritores, realizadores de cinema e anónimos à procura de um local de passagem seguro para recomeçar a sua vida em terra prometida.
A acompanhar este êxodo, a habitual escola de jornalistas, espiões, diplomatas e polícias em busca de notícias e informações.
A Linha tornou-se num local cosmopolita, longe da guerra e um berço de famílias reais: o rei Humberto de Itália, os condes de Barcelos e o seu filho Juan Carlos, Carlota do Luxemburgo, Eduardo de Windsor e Wallis Simpson, mulher por quem Eduardo abdicou do trono.
O Casino, a discoteca Palm Beach (que abriu nos anos 40), o restaurante Muxaxo, o pé Leve e a Choupana constituíam então locais de referência.
Jean Renoir, Antoine de Saint-Exupery (autor do "Principezinho"), entre muitos outros nomes famosos, aproveitaram o único porto livre e neutral da Europa, contribuindo para que Portugal fosse, nessa altura, um paraíso de glamour no meio da guerra. Foi nesta atmosfera que Ian Fleming - também de passagem para os E.U.A. na companhia do director da inteligência naval inglesa, o Almirante Godfrey - conheceu o casino do Estoril, tendo aqui nascido o seu famoso personagem James Bond, bem como, a sua primeira peça "O CASINO ROYALE".
James Bond surge, então, de um vasto conjunto de influências: da atmosfera vivida no Hotel Palácio, da companhia de Dusko Popov (agente retirado do KGB), mas também, de um conjunto de características do próprio autor que, segundo consta, era muito mulherengo.
Do CASINO ROYALE - casino do Estoril - fica o seu fascínio e a sua experiência pessoal, onde se conta que o próprio tentou levar um alemão à banca rota (no Bacarat), desafio que o fez perder até a camisa, acabando o Almirante Godfrey por ter de pagar as suas dívidas.
BOND NASCEU EM PORTUGAL, SENDO ESTE UM DOS SEUS SEGREDOS MAIS BEM GUARDADOS. Foi ainda neste "Aqui" que Bond se casou no filme "On her majesty secret service" - o único filme de George Lazenby e onde, curiosamente, contracenou com oito Bond Girls tendo, na mesma noite, dormido com sete, acabando por se casar com a oitava que, tragicamente, morreu virgem nos seus braços.
James Bond é, hoje mais famoso que o Tintin, mais sexy que Matahari, mais poderoso que Batman e o Super-homem juntos. mais do que um filme, é uma poderosíssima marca que, em termos económicos, foi capaz de gerar 3,3 biliões de USD em 20 filmes, tendo já sido visto por cerca de metade da população do planeta.
(...)
Esta Bond brand é, por isso, uma marca colectiva capaz de vender-se a si própria, mas que existe, essencialmente, para vender outras marcas, que se organizam em seu redor por layers de proximidade (...).
O seu código mágico de sucesso vive da trilogia champanhe, relógio e carro, mas a organização da oferta na gestão global da marca leva ao endereçamento de quase todos os públicos.
(...)
There's no business like Bond business.
Se James Bond "nasceu" em Portugal e constitui, hoje, uma das marcas colectivas mais bem sucedidas e rentáveis do mundo, será que 007 significa o código do sucesso que Portugal precisa para acreditar em si próprio?
Este precioso segredo que Ian Fleming nos deixou, reeditado no final de 2006, bem pode lembrar-nos a Riviera de outros tempos e, quem sabe, ajudar a projectar Portugal para o mundo das marcas, sem quaisquer preconceitos de ser um país pequeno porque, afinal, consegui ser o berço de uma marca tão grande.

quinta-feira, julho 26, 2007

Revista Portuguesa de Psicanálise


Já está à venda o último numero da Revista Portuguesa de Psicanálise.
Para os interessados aqui fica o índice:

Editorial - Freud e a Psicanálise
António Coimbra de Matos

Violência e medo
António Coimbra de Matos
Narcisse e OEdipe: place du mythe dans la théorie psychanalytique
Jean Bégoin
Abordagem neuropsicanalítica da psicoterapia dinâmica
Filipe Aranches-Gonçalves e Rui Coelho

Tempo e sentido de identidade - Como ligar descontinuidades?
Fátima Sequeira
Identidade e história de vida. Rupturas identitárias
Eduardo Sá
Alice no País das Maravilhas - a fuga da ameaça da ruptura identitária
Eduarda Carvalho
Da "cura" terapêutica à função analisante no processo de construção da identidade analítica
Ana Marques Lito

L'inconscient non-refoulé dans le processus analytique
Mauro Mancia
Identidade ou identidades? O problema da identidade psicanalítica
Rui Aragão Oliveira
Problems of transference and interpretation in borderline states
Anna Potamianou
Personalidades borderline - algumas considerações
João Balrôa

"Talk to Her" - the "Tlking Cure" from Freud to Almódovar
Andrea Sabbadini
Lá fora ("Out There")
Andrea Sabbadini
É na sombra que matamos quem amamos
Ana Viana (Comentário da Redação - António Coimbra de Matos)
Fernando Pessoa: personalidade múltipla como afirmação do não ser
Celeste Malpique
Figuras de identidade pessoal
José Manuel Heleno
Linguagem e diálogo
Joaquim cerqueira Gonçalves


A revista pode também ser adquirida através do site da Climepsi em www.climepsi.pt

domingo, julho 22, 2007

Hipnoterapia


Este fim-de-semana entretive-me a ler “Hypnotherapy for Dummies”. A hipnoterapia tem sofrido uma enorme evolução nos últimos anos e está a constituir-se como uma alternativa razoável para a resolução de algumas dificuldades relativamente focalizadas e principalmente é utilizada com sucesso como técnica psicoterapêutica complementar às técnicas expressivas.

Nas perturbações de ansiedade generalizadas e nas fobias simples parece ter um efeito verdadeiramente interessante. Enquanto técnica não visa a modificação da personalidade em profundidade (objectivo, por exemplo, da psicanálise e das psicoterapias psicodinâmicas), mas à modificação do sintoma ou mesmo ao seu desaparecimento.

A hipnose começa a ser estuda com um verdadeiro olhar científico e por isso mesmo começa a ganhar credibilidade e respeito da comunidade científica.

terça-feira, julho 17, 2007

Formação e Rompimento dos Laços Afectivos


Apesar de ser um trabalho relativamente recente (1979) é já um clássico esta obra de John Bowlby. Vale sempre a pena lê-la ou relê-la.

Bolwlby trabalha fundamentalmente no cruzamento entre o biológico e o psicológico, profundamente influenciado pela etologia, estudou o comportamento das crianças na formação dos laços afectivos com as suas mães e as consequências do rompimento inesperado desses laços. Os conhecimentos adquiridos através destes estudos foram depois generalizados para a formação e o rompimento dos laços afectivos em qualquer idade.

Deixo-vos dois pequenos excertos para estimular o retorno a este trabalho:

“(...) um bebé de quinze a trinta meses que venha tendo uma relação bastante segura com sua mãe e nunca se tenha separado dela antes, mostrará, via da regra, uma sequência previsível de comportamento. Essa sequência pode ser decomposta em três fases, de acordo com a atitude dominante da mãe. Descrevemo-las como as fases de protesto, desespero e desligamento. Primeiro com lágrimas e raiva, o bebé exige que a sua mãe regresse e parece ter esperanças de conseguir reavê-la. Esta é a fase de protesto, e pode durar vários dias. Depois torna-se mais calmo mas, para um observador perspicaz, é evidente que o bebé continua tão preocupado quanto estava antes com a ausência da mãe e ainda anseia pelo seu regresso; mas as suas esperanças dissiparam-se e ele entra na fase do desespero. Estas duas fases alternam-se frequentemente: a esperança converte-se em desespero e o desespero em renovada esperança. Finalmente, porém, ocorre uma mudança maior. O bebe parece esquecer a sua mãe, de modo que, quando ela regressa, permanece curiosamente desinteressado e, inclusive, pode parecer que não a reconhece. Esta é a terceira fase – a do desligamento. Em cada uma destas fases a criança é propensa a birras e episódios de comportamentos destrutivos, muitas vezes de um tipo inquietantemente violento.” pp.72/73

“(...) Muitas das emoções mais intensas surgem durante a formação, manutenção, rompimento e renovação das relações de ligação. A formação de um vínculo é descrita como “apaixonar-se ”, a manutenção de um vínculo como “amar alguém” e perda de um parceiro como “sofrer por alguém”. Do mesmo modo, a ameaça de perda gera ansiedade e a perda real produz tristeza; enquanto que cada uma dessas situações é passível de suscitar raiva. A manutenção inalterada de um vinculo afectivo é sentida como uma fonte se segurança, e a renovação de um vinculo, como uma fonte de júbilo. Como tais emoções são habitualmente um reflexo do estado dos vínculos afectivos de uma pessoa, conclui-se que a psicologia e a psicopatologia das emoções é, em grande parte, a psicologia e a psicopatologia dos vínculos afectivos”. Pp.172

terça-feira, julho 10, 2007




O Caminho!


Uma das coisas que mais me intriga no ser humano é a sua vontade de caminhar até um determinado destino como promessa ou desafio pessoal.
Actualmente, os caminhos de Santiago de Compostela, e os Caminhos de Fátima têm cada vez mais adeptos. Creio que o fenómeno não se deva ao aumento de praticantes católicos, mas sim à satisfação de várias necessidades que o conforto da vida actual não preenche.
A necessidade de liberdade, espaço de reflexão, convívio, crescimento pessoal e actividade física é satisfeita num só acto! O caminhar!
As horas que se passam a caminhar com uma mochila ás costas, transformam as bolhas nos pés, as dores nos ombros e as queimaduras solares numa descoberta de coisas simples e belas que o mundo tem. Levado ao limite, o simples facto de conseguir andar é motivo de uma enorme alegria!
Mas será que não deveria ser sempre assim?... enquanto podemos caminhar!

segunda-feira, julho 09, 2007


No próximo dia 15 de Julho, domingo, será inaugurada, no Auditório da Faculdade de Medicina Dentária, uma exposição de Pintura promovida pela MAPA, com obras de Emília Gomes da Costa e Tiago Serpa. A inauguração terá lugar às 16h30 e decorrerá até às 22h, ao som da guitarra clássica de João Paulo Oliveira.
A MAPA é uma associação sem fins lucrativos que foi criada em Janeiro de 2006 por um grupo de amigos empenhados em quebrar os circuitos culturais institucionalizados e estabelecer uma ponte entre expressões e públicos. http://www.mapacultural.com/

Assim, para além do voto para quem for de voto e da praia para quem for de praia, propõem-se uma saltada à Cidade Universitária para ver a exposição.

sexta-feira, julho 06, 2007

“Darkness Visible”, a memoir of madness



No verão de 1985 William Styron foi tomado por uma persistente insónia e uma perturbante sensação de doença – os primeiros sinais duma profunda depressão que engoliria a sua vida e deixá-lo-ia à beira do suicídio.
O livro “Darkness Visible”, editado pela Picador em 1991, descreve a devastadora queda na depressão, levando-nos através duma viagem sem precedentes até à esfera da loucura.
Trata-se dum retrato íntimo da agonia do ordálio de Styron, como também um testemunho duma doença que afecta milhões de indivíduos e que ainda é largamente incompreendida. Através da sua notável franqueza e poder de descrição chega-nos uma verdadeira compreensão da angústia duma mente desesperada à beira da morte.
Escrito com a prosa clara e envolvente de Styron, “Darkness Visible” é uma corajosa e edificante exploração da realidade negra da depressão.

“For the thing
I greatly feared is come upon me,
And that which I was afraid of
Is come unto me.
I was not in safety, neither was I quiet;
Yet trouble came.

Job
in "Darkness Visible", William Styron
Leitura recomendada!

domingo, julho 01, 2007

Autor obrigatório


Foi lançado no passado dia 26 de Junho o livro de João dos Santos intitulado "Ensinaram-me a ler o mundo á minha volta" com o qual se inicia a publicação das suas obras pela editora Assírio e Alvim. Será uma colecção com 7 títulos contendo textos inéditos recolhidos pela sua filha. Autor e Pensador sobejamente conhecido e reconhecido por todos os que se interessam pelas temáticas da psicologia, da educação e da psicanálise, habituou-nos à reflexão através da sua visão psicanalítica do mundo e da vida. Temos pois agora à disposição mais uma colectânea de textos que considero de leitura obrigatória.

sexta-feira, junho 29, 2007

Os consumidores habituais de cannabis vêem reduzida a actividade no córtex frontal inferior



Cada vez mais psiquiatras alertam para o impacto que pode ter na saúde mental o consumo de altas quantidades de marijuana ou haxixe, sobretudo entre a população jovem.
Até ao aparecimento das modernas técnicas de scanner, o mecanismo de actuação da cannabis no cérebro era um mistério. Através destas os especialistas podem detectar o impacto sobre a actividade deste órgão.
Philip McGuire e Zerrin Atakan do Instituto Psiquiátrico de Londres realizaram um estudo recorrendo a ressonância magnética. As imagens, segundo explicaram, mostram que os pacientes que consumiram tetrahidrocanabinol (THC) (presente na cannabis) vêem reduzida a actividade no córtex frontal inferior, uma área do cérebro relacionada com o controlo das emoções inapropriadas e com o comportamento.
O THC parece que “apaga” esta parte do cérebro e está associado com o aparecimento de paranóias, assinalou McGuire. As suas investigações serão apresentadas na Conferência Internacional de Cannabis e Saúde Mental.
Estudos similares de outras equipas também ressaltam a relação entre a dose de THC e o risco de sintomas de esquizofrenia segundo explicou o psiquiatra do King´s College de Londres, Robin Murray.

Fonte: El Mundo, Maio 2007

Hiperactividade - Desordem Neurológica?


No último número da revista Psicologia Actual é dado um destaque particular à entrevista com Russell Barkley (Psicólogo clínico Americano). Este colega defende de forma muito clara e peremptória a organicidade da Hiperactividade.

Diz ele: "Não existe absolutamente nenhuma controvérsia entre os cientistas acerca do papel dos genes no PDAH, uma vez que a evidência é esmagadora (...) Os genes que contribuem para o PDAH estão a agora a ser identificados. Então o assunto da contribuição genética não é controverso. Uma revisão recente indica que 65-75% de PDAH é devido à genética e o remanescente 25-35% resulta de complicações de parto, problemas mentais, ou lesões neurológicas sofridas após o parto. (...) Não possuímos qualquer evidência que um factor social, tal como parentalidade, televisão, ou videojogos ou escolas pobres possam criar PDAH numa criança previamente normal".

Para mim existe uma interacção entre o biológico (neurológico) e o psíquico que é muito complexa e que dificilmente se reduz a uma posição tão simplista.

Gostava de saber a vossa opinião sobre este assunto.

quarta-feira, junho 27, 2007

Saúde Mental e Envelhecimento



No dia 4 de Julho vai realizar-se um encontro sobre Saúde Mental e Envelhecimento organizado pelo Departamento de Acção Social da Câmara de Lisboa.
O encontro irá decorrer das 10 às 13h e terá o seguinte programa:

10.00 - Saúde Mental e Aspectos Psicogerontológicos
Dr.ª Ana Almeida
Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica; Directora
da “Psicronos”; Membro da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

10.30 – Reabilitação Cognitiva na Demência
Dr.ª Gabriela Álvares Pereira
Unidade de Neuropsicologia de Intervenção do Hospital
Miguel Bombarda; Secretária Geral da Associação Portuguesa de Psicogerontologia.

11.00 – Intervalo

11.30 – Cuidadores Formais e Informais
Dr.ª Ana Margarida Cavaleiro
Psicóloga Clínica; Coordenadora do Núcleo de Formação da
Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de
Doentes de Alzheimer - APFADA

12.00 – Debate

13.00 Encerramento

Eventuais interessados em participar deverão contactar o Departamento de Acção Social pelo telefone 21 394 44 10/11 (a entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia e tem um número limitado de inscrições)

quarta-feira, junho 20, 2007

O bem e o mal simplificado!



Muitas vezes a humanidade deve-se ter perguntado como distinguir as boas acções das más acções. Grandes filósofos escreveram tratados a esse respeito!
Mas mesmo assim o mundo está ir por um caminho que não parece muito certo. As alterações climáticas, as guerras e a fome continuam a assolar o mundo de um modo estranho, quando já há recursos financeiros para alimentar os famintos, reduzir as emissões de Co2 e acabar com as guerras... mas isto ainda não aconteceu porquê?

Será que os nossos governantes não sabem distinguir o bem do mal?

Eu acho que não!


Eles ainda não fazem uma coisa muito simples que é pensar no extremo. Eu explico, se pensarmos em mentir, mas é só uma pequena mentira... nada de grave! Se levar-mos o acto da mentira ao extremo seremos mentirosos, manipuladores e até poderemos ostentar o título de perturbação de personalidade (seguindo a lógica do José Luís Pio Abreu, no livro “como se tornar um doente mental”)
Ora se alguém apanhar um papel do chão, podemos dizer que foi uma boa acção, se o levar-mos a um extremo o que acontece é que o local fica limpo, se levar-mos ainda mais ao extremo o mundo ficará limpo.

Portanto, senhores governantes já não tem desculpa... uma “guerrinha” levada ao extremo leva a muitas mortes, uma pequena fraude leva á corrupção, uma ida ao café de carro leva ao aquecimento global...

Agora é só aplicar este pensamento nas nossas vidas e começar a construir um mundo melhor... mas alguns vão pensar... “ mas porquê eu? Porque é que tenho que ser logo eu a abdicar dos meus confortos quando há tantos que poluem, mentem e roubam mais que eu, vão falar com esses” porque se todos pensarem assim então é que vamos todos arruinar o mundo em que vivemos!

Simples não é?

terça-feira, junho 19, 2007

segunda-feira, junho 18, 2007

Uma leitura divertida da Obra de Melanie Klein


O mês passado fui a Londres e durante a minha estadia descobri um livro bastante engraçado sobre o pensamento psicanalítico de Melanie Klein.

A Psicanálise é muitas vezes dada com um ar pesado e sério. Neste livro, Robert Hinshelwood, Susan Robinson e Oscar Zarate apresentam os conceitos fundamentais da teoria kleiniana com ilustrações muito divertidas sem perder a exactidão clínica.

Podem espreitar o conteúdo na amazon

sexta-feira, junho 15, 2007

Programa "Braço Direito"


Gostava de partilhar com todos uma experiência enriquecedora em termos pessoais e profissionais que me foi dada a viver muito recentemente. Recebi de uma amiga um convite aparentemente invulgar. O desafio que aceitei de imediato era o seguinte: Acolher durante um dia um estudante do 3.º Ciclo do Ensino Básico (9.º ano) que se preparava para fazer uma daquelas escolhas de vida importantes – a área de estudos a enveredar ao nível do ensino secundário. A Associação onde esta amiga trabalha chama-se Aprender a Empreender (http://www.japortugal.org/) e o programa ao abrigo do qual recebi a Maria João (a simpática estudante que tive muito gosto em conhecer) chama-se “Braço Direito”. Preparei-me de acordo como os preceitos fixados pela organização (ligados, entre outros, à segurança da menor envolvida) e marcámos o dia 5 de Junho.

Planifiquei o meu dia de forma a ir ao encontro dos objectivos do programa e que passava, no meu caso enquanto psicólogo, por mostrar à Maria João todos os projectos em que estou envolvido na minha vida profissional. O resultado foi muito gratificante para os dois. Mostrei-lhe, entre outros contextos em que desenvolvo a minha actividade enquanto psicólogo, o consultório e o que, em termos genéricos, ali proponho às pessoas com quem trabalho.
Foi com muito gosto que procurei responder às dúvidas e perplexidades da Maria João, à medida que o dia se ia desenrolando. Queria partilhar convosco as palavras que ela me deixou a propósito deste dia:


"Lisboa, 15 de Junho de 2007


Ex.mo Dr. João Guerreio:


Espero encontrá-lo bem desde o dia do Braço Direito.
Estou a escrever-lhe, para lhe agradecer a sua disponibilidade em me receber durante um dia do seu trabalho. Agradeço-lhe também ter aceite ser meu voluntário neste dia, pois proporcionou-me um dia muito vantajoso para o meu futuro. Esclareci todas as minhas dúvidas em relação ao percurso a seguir daqui para a frente, ficando a perceber um pouco melhor qual o verdadeiro trabalho de um Psicólogo, e qual o percurso melhor até chegar lá. Acatei com muito agrado as suas opiniões e conselhos. (…) Assentei definitivamente em optar por um curso Cientifico-Humanistico, na área das Ciências Tecnológicas.
Gostei muito da Psicronos e de todo o seu trabalho.
Gostaria de desenvolver o projecto que ficou combinado, relativamente ao relatório do nosso dia.


Com os melhores cumprimentos

Maria Amaral"


Decidi, com a permissão da Maria, publicar este “post” para lhe expressar a minha gratidão pelas palavras simpáticas que me dirigiu, e para dar a conhecer a todos uma experiência que me parece muito interessante em ser replicada no contexto de outras profissões. Votos de Muito Sucesso para a Maria em especial e um bem-haja à Associação Aprender a Empreender!

"A traição do Eu"



Tal como refere Martin Roda-Becher a propósito do livro “A traição do Eu” de Arno Gruen publicado pela Assírio & Alvim em 1996, a aspiração à autonomia se for entendida como demonstração da própria força e superioridade limita-se a ser um produto da sociedade do sucesso em que hoje vivemos e consequentemente não passa dum equívoco de condições nefastas. Como o psicanalista Arno Gruen demonstra ao longo do livro, a verdadeira autonomia é o estado em que o Homem se encontra em plena harmonia com os seus sentimentos e necessidades. Contudo é justamente a prevalecente ideologia do sucesso e da eficiência que impede a muitos indivíduos o acesso ao próprio Eu; sendo que a adaptação às normas sociais, induzida pela pressão educacional atrofia a vitalidade, a criatividade e a capacidade de amar. Tamanha perda gera dependência e submissão. Arno Gruen analisa as fases do desenvolvimento da personalidade humana e as situações vivenciais em que a autonomia é bloqueada. Demonstrando desta forma, entre outras coisas, como a opressão da Mulher ou o empobrecimento mental do Homem, sendo consequências da falta de autonomia, são expressões da mesma perturbação fundamental. Para além das formas patológicas, Arno Gruen debruça-se pormenorizadamente sobre a anormalidade do que é tido como normal, interrogando-se sobre a condição do Homem na sociedade contemporânea. Recomenda-se a leitura!

segunda-feira, junho 11, 2007

Finalmente o Site da Psicoterapia Existencial


Recentemente a Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Existencial abriu o seu sitio na net, www.sppe.pt.

O site é muito elegante e suficientemente informativo, apesar de algumas das suas áreas ainda estarem em construção.

A Psicoterapia Existencial tem vindo a encontrar um lugar estável dentro das mais diversas Psicoterapias. Entre nós é ainda bastante recente e deve a sua expansão a uma meia dúzia de pessoas, das quais destaco o Prof. Carvalho Teixeira, sobejamente conhecido pelos muitos alunos do ISPA em Lisboa.

Com a constituição formal da sociedade, a SPPE vai iniciar no próximo ano lectivo o seu primeiro curso de formação de Psicoterapeutas sob o paradigma fenomenologico-existencial.

Atenção que as inscrições são limitadas e só estão abertas até 31 de Julho.

Saiba mais sobre a formação e as condições de candidatura em http://www.sppe.pt/formacao.php

Este é um link que vai para os nossos favoritos!

quarta-feira, junho 06, 2007

RECORDAR

O título do post da Clara fez-me recordar uma data que entre nós acabou por passar meio despercebida.


É que no passado dia 21 de Maio o nosso blog atingiu um ano de idade, e é claro que merece uma homenagem, ainda que fora de "horas"


Todos estamos de parabéns, nós os colaboradores do Blog, pela colocação dos mais diversos post's, os nossos Leitores e os nossos Comentadores, que ao longo deste ano têm feito do Salpicos um blog de leitura diária, de discussão e enaltecimento da Psicologia, da Psicanálise, das Psicoterapias (das mais variadas) e da vida em geral...
Como se costuma dizer:
"Muitos Parabéns, MUITOS ANOS DE VIDA"
São os votos para o nosso SALPICOS

terça-feira, junho 05, 2007

Procura de sensações.


Procura de sensações é o “traço” que descreve a tendência para procurar sensações novas, variadas, complexas e intensas, e a vontade de aceitar os riscos que podem acarretar. (Zuckerman, 1994)

Quantos de nós vivemos na ânsia de algo novo, intenso e satisfatório?

É interessante ver como os desportos radicais vão no sentido de fornecer essas sensações novas, variadas, complexas e intensas.

Mas na verdade o que procuram as pessoas?
Será que procuram simplesmente descargas de adrenalina?
Ou será que procuram viver o momento sem ter a habitual corrente de pensamentos automáticos que por vezes tanto nos perturba?

No fundo quem pratica desportos de alto risco tem que “está lá” na sua totalidade, senão corre o risco de se desconcentrar… com tudo o que isso pode acarretar para o praticante.
As palavras de António Variações descrevem bem o oposto quando só queremos estar onde não estamos, só queremos ir onde não fomos!

Será que a nossa procura de sensações não “apenas” querer um estado “zen” onde estamos centrados no local e na acção do momento?